Caso Ana Paula: Homem que matou ex-mulher em MG teve prisão decretada horas antes do crime
17/06/2026
(Foto: Reprodução) Advogada morta pelo ex-marido causa comoção em Governador Valadares
O homem apontado pela polícia como autor do feminicídio da advogada criminalista Ana Paula Rocha de Jesus, em Governador Valadares, teve um pedido de prisão preventiva protocolado pelo Ministério Público poucas horas antes do crime. A informação foi divulgada nesta quarta-feira (17) pela promotora de Justiça Carla Salaro, que acompanhava o caso.
Ana Paula foi morta a tiros na tarde de terça-feira (16), em um estacionamento no Centro da cidade. Segundo a Polícia Militar, o ex-marido atirou contra ela e, em seguida, tirou a própria vida.
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De acordo com a promotora, a advogada vinha sendo acompanhada pelo sistema de Justiça desde 2024, quando solicitou a primeira medida protetiva contra o ex-companheiro. Ao todo, foram três medidas protetivas registradas ao longo dos últimos anos.
Advogada morta em MG atuava na defesa de mulheres e fazia alertas sobre feminicídio
Segundo Carla Salaro, as duas primeiras medidas foram revogadas a pedido da própria vítima. Em uma das ocasiões, a decisão teria sido motivada pela situação de saúde da filha do casal, que enfrentava um câncer em estágio terminal.
"A violência doméstica tem natureza cíclica. É composta por fases. A fase da lua de mel, a fase do aumento da tensão, da explosão da tensão... Então, a mulher acaba retrocedendo em momentos de calmaria", explicou a promotora.
Pedido de prisão havia sido feito no dia do crime
Advogada é morta tiros em estacionamento no Centro de Governador Valadares
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A promotora informou que voltou a ser procurada por Ana Paula na segunda-feira (15), após novos episódios de descumprimento da medida protetiva vigente.
Diante dos relatos, o Ministério Público protocolou um novo pedido de prisão preventiva contra o investigado por volta de 13h50 de terça-feira. Horas depois, o feminicídio foi registrado.
"Eu analisei os fatos e entendi que as medidas protetivas já não eram suficientes para resguardar a integridade física dela... Infelizmente, não deu tempo", afirmou Carla Salaro.
Segundo a promotora, um primeiro pedido de prisão preventiva já havia sido apresentado pelo Ministério Público em novembro de 2025, mas não foi deferida.
Outras medidas também foram adotadas
Perícia da Polícia Civil no local dos fatos
David Oliveira
Além dos pedidos de prisão, o Ministério Público solicitou outras medidas para tentar conter as perseguições relatadas pela advogada.
Entre elas estavam o monitoramento eletrônico do agressor por tornozeleira e o encaminhamento dele para grupos reflexivos destinados a autores de violência doméstica.
De acordo com a promotora, o pedido para participação nos grupos foi indeferido e o Ministério Público recorreu da decisão. Já a tornozeleira eletrônica não chegou a ser efetivamente utilizada.
Ainda segundo Carla Salaro, Ana Paula também buscou mecanismos de proteção previstos na legislação, como o botão do pânico.
Promotora faz alerta às vítimas
Advogada morta em Governador Valadares atuava na defesa de mulheres e alertava sobre feminicídio
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Durante a entrevista, a promotora reforçou a importância de que mulheres vítimas de violência denunciem ameaças e não minimizem comportamentos agressivos de companheiros ou ex-companheiros.
"Muitas vezes, por conhecerem essas pessoas há anos, as vítimas acreditam que elas não seriam capazes de cometer algo tão grave. Mas podem ser. É importante que a violência não seja subestimada", alertou.
O caso é investigado pela Polícia Civil como feminicídio seguido de suicídio.
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